Lençóis de lavado. O teu cheiro permanece.
Afastas-te de tudo o que te pertence, com receios, movido de rumores e confusão.
Queres-te onde não estás. Eu não ficarei aqui guardando ilusões e memórias pouco lúcidas.
Um dia sei-me chegar a algum lugar onde estarei eu, e só.
Quero-me aí, intemporal e consistente, fora de lutas de palavras e gestos de traição.
Surpreendes-te afinal. Não a mim, possivelmente só a ti próprio enquanto te sentes capaz.
Sei que um dia desmoronará.
Aconteceu comigo e não trouxe a rede para saltar. Fico suspensa no ar.
Flutuando deixo-me cair, e cá de baixo já, sorrirei quando te olhar para cima, vais acenar-me e agarrar outras mãos.
Mas no dia em que deres por ti a cair, já vai ser tarde e o pára-quedas não abrirá.
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