Sonhar ficar suspensa assim, por uma linha imaginária. A preto e branco, numa ausência de som. Um filme antigo, uma fita gasta de ser vista e revista inúmeras vezes. Os traços indefinidos, as personagens cansadas, curvadas e em voltas constantes, braços ao longo do corpo e tombando em movimentos circulares.
Luz, parca. Apenas sombras de holofotes, sensação de espaço e eco, como se de uma oficina se tratasse.
Ao fundo um trapézio alto, para o caso de apetecer voar, fingir cair, balançar no vácuo. Por baixo em linha recta uma poltrona de pele rasgada, uma mesa com uma moldura e uma fotografia inexpressiva.
Se um dia quiseres voltar aqui, deixo-te assim, dentro deste retrato para que te consumam as horas e os dias, enquanto olhas o tecto.
Bem sei que aí onde estás não existem cordas, trapézio ou balanço. Só vácuo.
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